Ascensão do Terceiro

A Morte de Uma Criança

Conto

A pálida mulher, Varlana, segurava a criança profanada, Sachla, em seus braços,
chorando sobre ela lágrimas de doce tristeza. Ela era inocente e não merecia o destino que
tivera. Varlana rezou, rezou para que os elementos a levassem em seu lugar, rezou para que
eles soprassem a vida de volta na doce criança que ela segurava em seus braços, rezou para que
os velhos parassem de viver mais que os jovens, porque não era assim que devia acontecer. A
criança ainda tinha anos pela frente, mas por causa da crueldade desse mundo, o único mundo
que ela conhecia, a criança estava morta.

Pegando o seu cajado, Varlana enxugou seus olhos, e então beijou a testa da criança,
sussurrando que ela seria vingada e que ela a veria brevemente.

Não era difícil seguir o rastro dos saqueadores, e ela logo partiu a toda velocidade,
rastreando sua presa, a vingança em seu coração, e uma determinação em sua cabeça.

Menos de trinta minutos depois, ela viu, ao longe, sinais de um acampamento. Usando o
que suas companheiras irmãs a ensinaram, silenciosamente esgueirou‐se até o acampamento,
ouvindo cuidadosamente o alvoroço que nele ocorria.

Ela os ouviu brincar e contar vantagem, sobre como eles tinham pego Sachla de
surpresa, a imobilizado e estuprado, e então cortado a sua garganta e roubado a pouca água
que ela tinha, furiosos por ela não ter outras posses.

Isto era tudo o que Varlana precisava ouvir, pois o que foi ouvido a seguir, foi seu grito
invocando os espíritos que a transformam num feroz predador, enquanto ela saltava na clareira e começava seu ataque mortal.

Eram seis ao todo, e ela os tinha pego de surpresa, mas esses caras eram veteranos, e ela
era ainda “verde” como alguns poderiam chamar, ainda assim uma oponente formidável.

O primeiro era o mais surpreso e caiu com dois golpes mortais de Varlana antes que
pudesse aprontar suas armas. Os outros, entretanto, estavam prontos para ela a essa altura.

Um deles, aparentemente o líder, olhou para Varlana e sorriu e disse numa voz áspera
“Parece que nóis arrumô outro daqueles povo selvagem!”

Os outros sorriram com isso e se prepararam para jogar Varlana no chão para que
pudessem fazer melhor suas coisas com ela. Entretanto, Varlana não iria deixar as coisas
acontecerem tão facilmente.

Varlana saltou para o mais próximo e aparou seus ataques e contra‐atacou com seus
próprios golpes, que também foram aparados. A essa altura ela começou a se preocupar que
tudo isto não daria em nada, porque não somente esse cara estava defendendo seus ataques
com grande habilidade, mas porque ela estava prestes a ser flanqueada por um dos outros, e ela
não se achava boa o suficiente para lidar com dois ao mesmo tempo. Pensar nisso a deixou
apenas com mais raiva, e ela fez com que essa raiva trabalhasse para ela.

Ela imediatamente começou a bater forte no oponente atual, seus ataques chegando
árduos e rápidos, cada vez mais rápidos enquanto eram aparados. Antes que ele pudesse
perceber, o oponente não estava fazendo nada a não ser se defender, já que não poderia aparar
os ataques de Varlana rápido o suficiente e fazer um contra ataque sem ser atingido pelo
próximo ataque que ela desferiria contra ele.

Finalmente, ele bloqueou errado e ela conseguiu desarmá‐lo e em seguida feri‐lo com um
mordida na garganta. Ele caiu ao chão gorgolejando, bem em tempo, já que os outros estavam
chegando para encará‐la.

Os outros três homens correram para cima dela enquanto o líder recuava e olhava
divertido. Ela esquivava e bloqueava a maioria de seus ataques, mas um tinha acertado o alvo e
causado uma boa ferida através de suas costas. Varlana sentia dificuldades em contraatacar
já aparentava cansaço no embate e o corte arruinou o equilíbrio e a harmonia que
ela tinha em seus movimentos. Ainda assim, ela era capaz de demonstrar o seu valor.

Ela se concentrou apenas em atacar aquele que passou por suas defesas, enquanto se
defendia do resto. Ele era um bom páreo, mas ela estava ganhando dele. Ela continuava
desferindo golpe após golpe, enquanto ele defendia e, de vez em quando, contra‐atacava, ela
desviava dos golpes dos outros do melhor modo que podia. Após vários segundos, entretanto,
conseguiu atingir o alvo.

Ele não conseguiu bloquear um de seus ataques, o que deu um rasgo superficial em seu
peito, vendo a brecha, ela não parou por ali. Ela prosseguiu com corte após corte, alguns ele
bloqueou, outros não. Quando ela terminou, ele caiu ao chão num monte disforme, em pedaços.

Ela então se girou para aquele que estava a sua direita e quebrou sua espada de osso em
duas quando ele tentou bloqueá‐la, ferido com um corte da cabeça à virilha, antes de cair morto
no chão também.

A essa altura o líder não mais se divertia e vinha para o corpo‐a‐corpo, enquanto o que
restava lutando com Varlana decidiu virar‐se e fugir, não antes que ela lhe desse uma mordida certeira na garganta, matando‐o.

O líder se aproximou, espada longa de metal em punho, e atacou com as duas mãos na
direção do peito de Varlana, mas ela bloqueou com agilidade. Virando-se tão agilmente quanto se defenderá, golpeou de forma certeira sua virilha.

O líder rugiu, e bateu forte contra Varlana enquanto ela estava no balanço do seu golpe. Seus
golpes viam fortes e constantes. Varlana doíam com cada bloqueada, até o líder finalmente achar uma abertura e cortar Varlana do braço esquerdo até o seu peito.

Ela gritou e caiu de cara no chão, ainda segurando a espada longa de osso de um de seus
inimigos. O líder dos saqueadores a ergue sobre seus pés enquanto a segurava pelos ombros
por trás. Ele colocou a espada em sua garganta enquanto falava “Eu vou realmente gostar de te
ouvir gritar, agora, você pode deixar cair se render e viver, ou morrer lutando em vão, de qualquer modo você vai conhecer a dor como nenhuma outra antes que eu te deixe ir ou te mate”.

A única resposta ofegante de Varlana, através de seus dentes cerrados foi “Vingança!”
Enquanto ela se atirou, transformando-se novamente em fera, sobre seu algoz e cravou suas garras sobre os peitos dele e atingido o coração do seu adversário.

Ambos ficaram em pé por um instante antes dele soltar seu último suspiro e tombar no
chão morto.

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jonny333 Caldeira

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